sábado, 20 de outubro de 2007

Madeiras para tampos de violões


Por Christovão Abrahão

Engenheiro Florestal MS

UFV - Viçosa,MG

Pinho-alemão (Picea abies).

Outros nomes vulgares: abeto, pinho-sueco ou, simplesmente, pinho. Pinheiro procedente do norte da Europa; é a madeira mais tradicional na construção de instrumentos musicais em todo o mundo; possui coloração pardo-escura com algumas variações. Tem sido empregado por séculos nos tampos de violinos, violoncelos, etc e tábuas de ressonância de pianos, cravos etc. Abies alba é outra espécie européia de propriedades e usos similares e que também recebe o nome vulgar de abeto.

O nome vulgar pinho é também atribuído à espécie brasileira Araucaria angustifolia (pinheiro-do-Paraná ou pinheiro-brasileiro), o que gera algumas confusões. O pinheiro-do-Paraná fornece a melhor madeira brasileira para a produção de tampos, porém não supera a qualidade do pinho-alemão.

Outra confusão bastante comum dá-se com as espécies de pinheiros do gênero Pinus, representado comercialmente no Brasil principalmente pelas espécies Pinus elliottii, Pinus oocarpa e Pinus caribaea que são utilizadas na indústria de móveis e chapas de madeira (compensados, aglomerados e chapas de fibra), não se prestando de forma alguma para a construção de tampos.

Cedro-do-Canadá (Thuya plicata).

Outros nomes vulgares: western redcedar, cedro-vermelho-do-oeste, cedro-do-Óregon ou, simplesmente, cedro. Pinheiro procedente do noroeste da América do Norte; é uma madeira também muito utilizada na produção de tampos de violão. Apresenta coloração marrom-avermelhada ou rósea-escura; possui densidade e rigidez mais baixas que o pinho-alemão, porém é madeira de altíssima qualidade para tampos devendo-se apenas adequar-se a estrutura do instrumento às propriedades dessa madeira.

Uma confusão bastante comum é tomar-se o cedro-do-Canadá pelo cedro-rosa (Cedrella fissilis) que não é um pinheiro mas uma folhosa da Mata Atlântica brasileira. O cedro-rosa produz madeira róseo-avermelhada com densidade média e alta estabilidade dimensional que, juntamente com o mogno (Swietenia macrophylla) são as melhores madeiras brasileiras para a confecção de braços de violões e têm sido empregadas com êxito em todo o mundo para esta finalidade. Existe ainda uma espécie amazônica semelhante ao cedro-rosa em suas propriedades que é chamada cedro-da-Amazônia ou cedro-do-Pará (Cedrella odorata).

Outras confusões ocorrem com outra espécie de pinheiro que é conhecida vulgarmente como cedro-do-Líbano (Cedrus libanni) que ocorre desde o Oriente Médio até a Península Ibérica.

Spruce (Picea rubens, Picea glauca e Picea mariana)

Outros nomes vulgares: eastern spruce, red spruce (P. rubens), white spruce (P. glauca) e black spruce (P. mariana). Pinheiros que ocorrem na região nordeste dos EUA e sudoeste do Canadá; possuem madeiras de cor palha e de propriedades praticamente idênticas a ponto de não serem distinguidas comercialmente. As três espécies apresentam excelentes propriedades acústicas.

Sitka spruce (Picea sitchensis)

Outros nomes vulgares: sitka, abeto sitka. Pinheiro que ocorre em toda a costa oeste da América do Norte. Apresenta coloração rósea muito clara, densidade e rigidez um tanto mais elevadas que o cedro-do-Canadá, porém de excelentes propriedades acústicas.

Elgelmann (Picea engelmannii)

Outros nomes vulgares: Elgelmann spruce, white spruce e mountain spruce. Pinheiro que ocorre nas partes mais levadas das Montanhas Rochosas nos EUA. Madeira de cor palha muito clara de propriedades semelhantes aos spruces.