sábado, 9 de fevereiro de 2013

Grandes Mestres da Construção de Violões - Herández y Aguado (1895-1975 ) e Victoriano Aguado (1897-1982)


                 

Estrutura usada desde 1968



                  A parceria de Manuel Hernández e Victoriano Aguado foi uma das mais bem sucedidas na história da construção de violões. Hernandez nasceu em 1895 em uma aldeia perto de Toledo, mas sua família mudou-se para Madrid, quando tinha oito anos de idade. Ele permaneceria na capital espanhola para o resto de sua vida e ele tornou-se impregnado da tradição musical da região. Ele começou a trabalhar com a idade de 14 anos como aprendiz em uma oficina de piano, nesta oficina as principais partes componentes dos corpos de pianos eram construídos, e os problemas acústicos que surgiam iam sendo resolvidos.
                 Aguado nasceu em 1897, em Madrid e cresceu lá. Eventualmente, ele passou a trabalhar na mesma oficina de piano que Hernández, contratado para fazer o “French polisher” dos pianos fabricados tornando-se um especialista em acabamentos. Os dois se tornaram amigos próximos, e quando a oficina de pianos fechou as portas em 1941, eles decidiram criar a sua própria oficina onde reformavam pianos e fabricavam algum mobiliário. Aguado foi um violonista entusiasmado e talvez em função disso os dois homens decidiram fazer um par de violões. 




Selo escrito a mão do número 1.
Mão do número 1
Número 1.
Costa do número 1.
                                
Eles ficaram encorajados quando um professor de violão do Real Conservatórios de Madrid reagiu muito favoravelmente aos instrumentos, então decidiram e passaram a fazer mais instrumentos. Eles aprenderam muito assistindo ao trabalho de Modesto Borreguero, um exímio construtor que tinha estudado com Manuel Ramirez e foi capaz de mostrar aos dois fabricantes aspirantes muitas das habilidades tradicionais necessárias ao bom desempenho da arte de construção de instrumentos.
                   Seus violões seguintes sofreram uma grande melhoria, mais bem equilibrado, e com um som mais forte. Eles, então, decidiram promover transformações em sua oficina inteira objetivando a produção de violões. Assim, de Paris trouxeram o cedro e o jacarandá, da Alemanha eles compraram o ébano para escalas, e abetos para os tampos. Madrid já estava bem abastecida de outros materiais necessários na construção para o fornecimento dos fabricantes de violões já estabelecidos.  O sucesso veio bastante rápido pois até o final de seu primeiro ano de produção em tempo integral, eles tinham uma lista de espera de clientes 70. Em 1975, mais de 400 violões foram produzidas, embora Aguado tenha aposentado por volta de 1970, época em que ele escreveu um relato detalhado de sua amizade e parceria de trabalho com Hernández, "Notas Biograficas de la Firma".Enlarge

                   Hernândez trabalhou seus últimos anos com seu genro, Jesus Belezar. Parte do apelo de seus instrumentos é que eles não impõem um caráter forte sobre quem o toca. Muito bem feito, e elegantemente proporcionado, o violão aguarda a habilidade de quem toca e sua interpretação, para trazê-lo à vida. É, portanto, necessário que se adapte o violonista que tenha ideias claras sobre o que seja expressão musical.
                   Isso entra em forte contraste com um outro fabricante como 'Ignácio Fleta', cujos instrumentos parecem que exalam o som antes de qualquer outra coisa. Foi dito que os instrumentos Hernández y Aguado são: "... nem muito alto, nem muito mole, nem muito duro e muito maduro. Ele é o tipo de violão que seria chato se não fosse muito bom para o seu nível. Suas qualidades representam um tipo de média de muitas das características desejáveis ​​de um violão, resultando em um instrumento atraente, que tem ao menos uma coisa claramente marcada, a "personalidade" que muitos outros não tem. "

Design


                   O corpo do instrumento é de elegante forma, com os bojos suavemente curvos. É bem proporcional, e confortável para segurar e tocar. Tal como acontece com muitos fabricantes, as dimensões variam ligeiramente de um instrumento para outro, quer como resultado de experimentação deliberada, ou simplesmente porque as faixas laterais não foram sempre envergadas com o mesmo molde de perfil.

Tampo e Sistema de leque harmônico



                          O tampo abeto é bastante fino, na verdade, o violão inteiro é de uma construção bastante leve, embora consideravelmente grande em tamanho. Hernandez y Aguado variaram seu método estrutural do leque harmônico, alguns instrumentos têm o leque com cinco barras na sua estrutura, outros possuem sete barras, e alguns ainda incorporam uma barra diagonal adicional abaixo da barra estrutural abaixo da boca, com o ângulo descaindo para o lado dos agudos. Eles geralmente colavam uma placa longa no interior do tampo, diretamente abaixo da ponte, e as barras estruturais do leque harmônico são entalhados para passar sobre a placa. Examinados três instrumentos da dupla de artífices, um deles construído em 1963, tinha cinco barras no leque harmônico, um outro construído em 1966, possuía sete barras harmônicas, e um ultimo de 1968, com seis barras no leque e uma barra diagonal. As dimensões das barras harmônicas são pequenas, usualmente não mais do que 3 mm, e de 5 mm de largura. O fundo do instrumento unia-se as faixas laterais por uma cintilha secciona em certa distancia para ser maleável acompanhando a curva das faixas mas mantendo uma fita continua tipo "kerfed lining", enquanto que o tampo está ligado às faixas laterais com blocos individuais, "tentelones" coladas lado a lado em um conjunto para formar um revestimento contínuo. Nos instrumentos citados, marcas são visíveis em tais blocos (tentelones), que resultam de uma ferramenta pontiaguda sendo prensada contra os blocos, provavelmente usada enquanto a cola seca. As barras harmônicas são retangulares em sua extensão, sendo as extremidades muito ligeiramente afunilada para baixo. Pequenas barras são preparadas para serem usadas apoiando estruturalmente e colados internamente nas faixas laterais.


                         Dois diferentes padrões, o primeiro é percebido no violão de 1963 (cinco barras no leque harmônico), e o segundo do violão de 1968 (seis barras no leque harmônico com uma barra diagonal adicional). Esses dois padrões são representativos da maioria dos trabalho, e possibilita que os dois instrumentos sejam completamente distintos entre si.

Fundo e laterais
                                São peças feias com jacarandá da Bahia. O fundo com 2mm de espessura é polido e possui três barras estruturais. As laterais são envergadas e preparadas para encaixar no rasgo entalha na lateral do braço.

Braço
                           No método tradicional espanhol de construção de violões, é usual, que as faixas laterias sejam encaixadas em cortes nas laterais da unidade entalhada entre o salto interno e externo. 

                              
                                O braço é bastante fino, variando de 21,7 mm na pestana caindo para 23,0 milímetros no 9º traste. A largura na extensão da escala é 52,5 milímetros na pestana vai ampliando para 62,5 milímetros no 12º traste. O comprimento da escala usado é de 650mm.

Mão
                              O desenho da mão é ousado, e inclui duas áreas centrais que são esculpidas e terminando com um efeito de textura.



Roseta








A roseta feita a partir de madeiras naturais e tingidas, que consiste em um tema central com motivo em ziguezague, que é delimitada em ambos os lados por um desenho multicolorido meia espinha.

Primeiro violão Hernândez y Aguado
 


Ponte ou cavalete.
Em alguns exemplos a torre da ponte são cobertas com uma aplicação de madre-pérola, e cercada de jacarandá, em outros uma parte do motivo roseta é aplicado como um foleado.



Materais
Tampo: abeto Europeu - Espessura: 2,0 milímetros
Fundo e faixas laterais: jacarandá Bahia - espessura de 2,0 milímetros:
Braço: cedro
Escala: ébano
Cavalete: jacarandá Bahia
Estrutura interna: Europeu abeto.


Fonte:   The Masters Makers And Their Guitars